Qualidade – Uma abordagem prática – 9 dicas.

Neste artigo o professor Ronaldo Veloso, aborda  a introdução á qualidade utilizando uma abordagem prática.

1. Globalização do mercado mundial

O fusca renasceu no Brasil e, quem diria, será exportado para do México para a Alemanha.  Computadores fabricados nos Tigres Asiáticos são vendidos em lojas de departamento do mundo inteiro.  A primeira loja do McDonald’s em Moscou tem filas quilométricas e tornou-se a maior loja da rede no mundo.

Investidores aplicam simultaneamente nas Bolsas de São Paulo, Londres e Tóquio.  Donas de casas, com um cartão de crédito e um catálogo em mãos, compram por telefone em qualquer parte do mundo.

A disputa por parcelas de mercado e decisões estratégicas já não podem ser tomadas analisando apenas as condições locais, mas considerando-se aspectos da economia mundial, pois o concorrente não é mais o seu vizinho, mas uma empresa da China, Coréia, Estados Unidos, etc., países do outro lado do planeta.  É a chamada Economia Global dos anos 90.

A empresa global procura não só utilizar suas vantagens competitivas, mas as das nações.  Um aprofundado estudo desenvolvido por centenas de pesquisadores de nove países, coordenados por Michael Porter, da Harvard Business School, mostra  que globalização não corresponde á homogeneização, eliminação das diferenças ou redução do papel dos países.  Ao contrário, a globalização realça os pontos fortes de cada nação e as diferenças de caráter nacional, aproveitando-os para o resultado global.

Apesar do pioneirismo americano na indústria de robôs, o Japão tem uma posição de liderança absoluta e, em 1984, concentrava quase 70% dos robôs industriais em operação do mundo.

Os japoneses criaram uma gama enorme de modelos, para aplicações das mais diversificadas, enquanto os norte-americanos insistiam em modelos bastante complexos. O intenso contato entre os fabricantes de robôs, fornecedores e clientes japoneses, além da enorme rivalidade interna, estimulou a inovação nesta indústria.

A Alemanha produz 35% das máquinas impressoras e gera 50% das exportações mundiais na área.  Suas vantagens competitivas têm-se mantido por mais de 160 anos. O pioneiro impressor alemão foi impedido de atuar na Inglaterra, que procurava reservar seu mercado. Retornou á Alemanha dando início á indústria, que logo atraiu inúmeros rivais, estimulando a demanda e sua qualidade.

As indústrias correlatas, tais como papel, tintas e sistemas de composição, também foram estimuladas a atingir padrões mundiais.

Proteger um mercado nacional a qualquer custo, criando mecanismo como a reserva de mercado que vigorou muitos anos no Brasil para a área de informática, impede que se realce ou mesmo que se descubram as vantagens competitivas de uma, buscando-se a impossível tarefa de competir apoiado nas fraquezas.

As grandes decisões sobre cada uma das funções na empresa global, tais como pesquisa, fabricação ou sistemas de informação, conforme explica Stanley Davis, são tomadas numa base mundial. A Toyota fabrica um de seus modelos de carro global nos EUA e exporta para o mundo todo, incluindo o Japão.

Multinacionais com filiais em todo o mundo, inclusive no Brasil, estão passando de centenas de centros de processamento de dados para apenas quatro ou cinco. Devem chegar a apenas um até o final do século , utilizando sistemas únicos de gerenciamento para toda a corporação.

Significa então que no mercado da década de 90 só há espaço para as grandes corporações? Não, pois a atuação global não exige que seja efetuada por uma única organização ramificada em todo mundo.

Pode realizar-se através de enorme teia de pequenas empresas, altamente especializadas em seu negócio, teia esta constituída através de parcerias, associações e terceirização. Nos extremos destas teias pode nem existir uma organização, mas apenas um telefone, um fax ou um terminal de computador.

A organização virtual (“virtual enterprise”), que se constitui dessa forma, possui um recurso fundamental: informação. É ela que flui através das inúmeras “unidades virtuais “da organização, dando-lhe possibilidade de uma atuação global. É o correio eletrônico (dados, voz e imagem) facilitando as comunicações entre inúmeros e distantes pontos; a video-conferência reunindo “numa mesma sala “ pessoas que estão em países diferentes; clientes e fornecedores trocando documentos eletronicamente (EDI- Eletronic Data Interchange); operações financeiras realizadas entre diversos bancos e empresas utilizando-se um terminal de computador sobre a mesa.

Tom Peters argumenta que a mola propulsora da economia serão as pequenas estruturas, as pequenas empresas.

Empresas alemãs com 10 a 50 funcionários têm negócios em várias partes do mundo e podem ser consideradas globais.

A Microsoft continua obtendo grandes resultados em termos de inovação, contando com uma área de pesquisa com 60 pessoas.  A IBM, anunciando prejuízos em todos seus últimos balanços, chegou a ter 1.000 pessoas apenas na área de PD (pesquisa e desenvolvimento).

As pequenas e altamente especializadas empresas têm muito mais agilidade e flexibilidade do que as grandes, pesadas e verticalizadas estruturas. Em 1992, grandes empresas americanas, tais como GM, FORD e IBM, bateram sucessivos recordes dos maiores prejuízos da história empresarial. Executivos com salários milionários foram degolados.

1.2 –                Evolução

Antigamente a abordagem do controle da qualidade era corretiva, enfatizando a detecção de defeitos e segregação dos itens defeituosos.

A partir do final dos anos 50 e início dos anos 60 a abordagem passou a ser preventiva, ou seja, a qualidade final do produto passa a ser obtida fundamentalmente através da prevenção de falhas.

1.2.1 –   Artesão

Antes da revolução industrial as atividades produtivas eram desenvolvidas por artesãos, em pequenas oficinas, com ajudantes aprendizes. As principais características dos artesãos eram:

  • longo período de treinamento;
  • conhecimento de todo o ciclo de produção;
  • atividade diversificadas;
  • gerência de pequenos grupos;
  • processo não padronizado;
  • produtividade baixa, custo alto;
  • contato direto com os clientes;
  • visão do objetivo e utilidade do trabalho.

Dessa forma, o trabalho dos artesãos era de alta qualidade porém com pequena produção.

1.2.2 –   Revolução industrial

Em 1976, com a invenção da máquina a vapor por James Watt e sua aplicação à produção, uma nova concepção de trabalho veio modificar completamente a estrutura social e comercial da época, provocando profundas e rápidas mudanças de ordem econômica, política e social. Era o início da Revolução Industrial.

Como conseqüências da Revolução Industrial podemos citar:

  • desaparecimento do artesão e da pequena oficina;
  • surgimento do operário, das fábricas e das usinas;
  • divisão do trabalho em tarefas elementares;
  • produto padronizado;
  • transferência da habilidade do artesão para a máquina que tinha maior rapidez, produzindo-se desse modo maior quantidade, com conseqüente redução no custo da produção.

Dessa forma, houve um distanciamento do cliente além da dificuldade, por parte do operário, para visualizar o objetivo e utilidade do trabalho não havendo, pois, comprometimento com o produto.

A produção era alta, mas a qualidade, controlada pelos mestres, era baixa.

1.2.3 –   A busca da qualidade

Com a produção em massa e a consequente perda em qualidade dos produtos foram adotadas as seguintes alternativas, do final do século XIX até a segunda guerra mundial:

·      criação de departamentos de controle da qualidade que executavam inspeção em 100% dos produtos finais;

·      utilização de técnicas estatísticas para inspeção por amostragem já que, devido a massificação da produção, a inspeção 100% tornou-se inviável;

·      controle da qualidade passa a atuar durante o processo produtivo e no recebimento de matérias-primas;

·      utilização do controle estatístico de processo por meio de gráficos de Shewhart.

1.3 –                EMPRESA EM PROCESSO DE ENVELHECIMENTO X CRESCIMENTO

 

 

ENVELHECIMENTOCRESCIMENTO
1        Opera por inércia1        Opera com ímpeto
2        Os sistemas controlam a gerência2        A gerência controla os sistemas
3        Tudo é proibido exceto se permitido3        Tudo é permitido exceto se proibido
4        Ênfase na forma (como)4        Ênfase no conteúdo (o que)
5        Atitude de querer o que se obtém5        Atitude de obter o que se quer
6        O poder na contabilidade e finanças6        O poder no marketing e nas vendas
7        Idade do juízo7        Idade da intuição
8        As oportunidades são problemas8        Os problemas são oportunidades
9        As pessoas mantidas pela personalidade apesar de sua contribuição9        As pessoas mantidas pela contribuição apesar da personalidade
10   Requer insultores10   Requer consultores
11   Sucesso dentro da organização vem de evitar o risco11   Sucesso dentro da organização vem de enfrentar o risco
12   Caixa alta12   Caixa baixa
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